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Um poema que chega forte ❤

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Manaus -  Fotografia de Alice Bessa / outubro de 2018 na coluna 'nossa geografia humanista' de hoje, ecoo uma troca, conversa dialogada em íntimo, mais que necessária.  sinto a poeta falar. sinto a poesia gritar. adentro as imagens. as imagens cortam a pele, que refaz a mulher. reinvenções necessárias para nos habitarmos do sangue que nos fez, hoje reprimido à custa de tanta violência. deixar essas conexões adentrarem a carne que somos, deixar a reinvenção de nós mesmos produzir uma nova forma de habitar: com respeito. esse respeito urgente, negro.  Grito Noémia de Sousa ao irmão J.M.  Neste anoitecer sangrento de Moçambique chega-me, segura, a tua voz irmão,  inchada pela distância e pela saudade... Misturada com os cantos escravos dos negros regressando do trabalho, chega-me de longe a tua voz fraterna nítida como a lua cheia no espaço, trazendo-me a mensagem da tua palavra afiada de lutador, a esperança sempre re...

Sobre nossa roda de conversa "Lugar Geopsíquico e Educação Geográfica"

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No dia 29 de maio de 2020, dia da Geógrafa e do Geógrafo, recebemos a professora Dra. Juliana Maddalena Trifílio Dias, da UFJF, coordenadora do Grupo GhEnTE (Geografia humanista,  Ensino,  Teoria,  Experiência), para uma roda de conversa sobre "Lugar Geopsíquico e Educação Geográfica".  As inscrições foram um sucesso! Ficamos muito gratos com essa repercussão.  Durante o processo de imersão na proposta da profa. Juliana brotamos um cadinho de nossa geopsique e proseamos sobre. Muito bom perceber a pesquisa através de quem somos. Nós acreditamos muito nessa vereda fenomenológica que escavamos juntos desde 2014 aqui no grupo.  Dos quantitativos que nos fizeram carinho nesses tempos nuviados [bem a mineira merrmo]:  * Foram 65 inscritos , sendo 28 inscritos da UFMG, 7 da UFJF, 5 da UERJ, 4 da UFF, 2 UFSM e  10 outras : Unifesspa, Uni-BH, Unicamp, UFMT, Unipampa, UFRGS, UFPA, UFSJ, Uneb, Unimontes.  * 18 pessoas ainda não conheciam o NPGEO...

Quando não há como haver escritas...

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Hoje seria meu dia de publicar sobre minha pesquisa, minha inspiração aqui no blog, mas não consigo. Não porque me faltem as palavras, mas é que tá doendo. Mais uma criança negra é morta resultado de uma sociedade racista, capitalista, patriarcal. Nesse caso ainda mais é realçada a desigualdade pela raça e classe que a justiça trata as pessoas em nosso país. Não que antes não soubesse disso, mas às vezes isso nos vem mais forte, um baque. Foi retirado de uma mãe o direito de ver seu filho chegar aos 9 anos como o meu. Hoje as rosas para mim são de luto, são para serem jogadas com lágrimas e revolta em um caixão branco (mais um, até quando?). O bordado e as letras hoje só me serviriam para pedir por justiça e convocar todos à Luta. Luta, que é substantivo feminino, mas que tantas vezes se difere a depender da cor desse ser mulher. A gente faz poesia e arte de teimosia, para não cair no amargor dos que pregam a morte de alguns e a soberania de outros. Mas há dias que também temos que...

[Travessia] Junho (delírios de São João)

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JUNHO Já não era mais noite de São João, mas minha fogueira não parava de queimar. Painho, vovó e tio Pedro trouxeram, cada um, lenha pra mim naquele ano. Queimei fogueira o mês inteiro... Junho todo meu coração crepitou. Quente, paixão acesa escaldante. Suor descia de meus poros, corria sem sentir, soltando bombinhas. Fogos, luzes do João no mês do Antonio, Pedro e Paulo. Não me cansava... Hoje não tenho mais tantas fogueiras. Nem os três senhores, pois já se foram. Mas guardo bem fundo minha saudade natal. Fogo que machuca... Fogueira que cura...

[FotoGrafiar] À sombra da jaqueira

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por Valéria Amorim do Carmo

29 de maio: Viva as geografias!

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Salve o tempo e espaço que nossos pés percorreram até decidirmos navegar pelo mar da absorção e percepção geográfica do mundo. Salve os tempos que nos atravessaram e atravessam, vidas, corpos, linguagens, discursos, mapas, identidades, culturas, paisagens, enredos. O que nos tocou primeiro para nos portarmos nessa azáfama ao lado dos anticorpos da mãe Terra, renegando, muitas vezes, ações da nossa espécie humana. Quando o prisma do nosso olhar se descortinou do polígono e ficou mais amplo nos sentidos horizontais e verticais. Expandiu-nos. Explodiu-nos. O momento primeiro em que nos percebemos geógrafas e geógrafos. E hoje, salve os instantes inteiros em que cultuamos nossa visão, observação e ação cotidiana movida por esse tornar-se. Nascemos nesse desbravamento e de repente decidimos desenhá-lo, recriá-lo, transformá-lo. Que cultivemos esse fazer de nosso interior para o exterior. Interior do corpo. Interior da Terra. Interior da Terra que passou a ser nosso corpo de forma conscient...

O início da querência - escrever bordando naturezas

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Faz um mês. Estou tentando: Plantar rosas Escrever Bordar, crochetar, costurar.   Minhas tias sempre tiveram roseiras lá na roça, desde-que-eu-me-lembro... Rosas Vermelhas, Brancas, Amareladas, Rosa (chamada de Baronesa, a mais cheirosa e linda). Quando pequena, eu as trazia em vasilha d´água. E aqui ficavam até morrer. Esquecia delas. Rosa amarela. Uma das roseiras de minha tia na roça.   Cada momento quero linhar em pano um algo. Ou linhar em agulha - de crochê, de bordado. Bandô, mandalas, colchas de retalho.... Voa, o pensamento em coisas feitas para estar aqui.   As palavras que se misturam na mente, querem e precisam ser lançadas no mundo. Voltar a escrever. Coisas inspiração. Sentar e escrever. Soltar palavras livres e depois achar um propósito para elas.   Parecem versos desconexos mas há um de quê de se juntar. As Rosas. Alinhar em terra as palavras bordadas com jeito de flor. Colocar em palavras o tentar Plantar rosa,...

Tabuleiro, sexta-feira, outono de 2017

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A crônica a seguir, é a terceira e ultima parte da sessão POÉTICAS DO SENTIR OU O CORPO EM MISTURA COM O RIO QUE SE ENGOLE. Das palavras que restavam em minha boca, saudade. Último dia de caminhada, e na água que corre, a chuva descia fraca, mas fria, tomando meu corpo já preparado para descer o último percurso da serra. O Espinhaço em tormento. Me perdi na neblina densa, enquanto os chuviscos gelavam minha pele. Sem capa de chuva. Às vezes sem chão. Ao céu entregue. Sobre pedras e chão enlameado teci minha caminhada. Escondendo da chuva que cai. Tinha medo e frio. As dores de dois dias de caminhada assombravam meus pés. E sem perceber, me pus a caminho. Seguindo. Encontrando. Não estava sozinho, ainda que o silêncio habitasse os corações dos que caminhavam comigo. Não estava sozinho. Corria as águas pelas pedras rígidas, descia chuva transformada em cascata. Em córrego. Em rio. Sabe se lá se isso é coisa do destino. No findar da travessia, meu corpo insistia em venc...

[FotoGrafiar] o céu tá lindo, hoje

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Fotografia de Valéria Amorim do Carmo, 25/05/2020

Caminhos amazônicos: imaginar, olhar, sentir

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Na coluna "nossa geografia humanista" de hoje, apresento a dissertação de mestrado da geógrafa Juliana Martins Fonseca, intitulada   "Paisagens e imagens amazônicas: caminhos do imaginar, olhar e sentir " , publicada em setembro de 2016 na Universidade Federal de Minas Gerais.  Igarapé - Fotografia de Juliana Martins Fonseca, 2013 O trecho abaixo é um extrato dessa dissertação (pg 78-80): Tinha muito pau memo. No meu caso eu pegava um tanto dessa seringa e ia só picando eles. Só picando assim, eu pegava o motó e ia cortando sem derrubá nenhum. Aí eu vinha aqui e achava um pauzão grosso e jogava em cima e um ia levando o outro para cair tudo. E as ezes tinha hora que você cortava um pau aqui e tinha um cipó lá que puxava um galho laaaá de trás, entendeu? E aí você tinha que dá teu jeito. Pra sair de fora e para aquilo não cair em cima. E nisso eu matei um filho meu  (silêncio) . Bom eu digo que matei assim...  (silêncio) . A Lena estava gestante de set...