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Mostrando postagens com o rótulo escrita

Ateliê de escrita | Morangos 🍓

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🍓 Em vermelho tom, fruta não nossa. Nunca vi morango no doce feito na roça. Mas vi na novela. E no programa de culinária. Então para amanhã teremos torta de morangos a ser servida para o chá da tarde com alguém. Uma toalha de rosas. Xícaras de porcelana com flor. Chapéu, tempo leve. Conversa, riso.  Temperatura calma. Chique.  Morangos são sonhos. E ficam lindo ali, enquanto a vivência do real não permite toalha de rosas com amigos. Letícia Moraes 🍓 Ultimamente penso em processos. Vou atrás do fenômeno, escavo a terra, exumo histórias, localizo, analiso e percebo. Fiz assim com uma bandeja contendo vinte morangos comprados a seis reais.  Os mineiros são os maiores produtores de morangos do Brasil.  O Sr. José, nascido em Sertãozinho, Minas Gerais, mudou-se para Pouso Alegre e lá colhe morangos há 35 anos. No seu casamento não teve bombons de morango. O dólar estava alto. Mas, quem come morangos? O Sr. José gostaria de viajar para o litoral em sua lua de mel, mas nã...

[GLOSSÁRIO] S de Sentimento

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  SENTIMENTO Sempre quando penso (ou falo, escrevo, sonho, perâmbulo) sobre Sentimento, retomo a memória os poemas de Carlos. Um acesso quase que inconsciente, mas sempre oportuno. Sentimento diz mais da afetação do mundo, da disponibilidade do corpo a ser adentrado e maculado pela imensidão das forças que atravessam o ordinário dos dias, do que, apenas, de fabulações interiores desprendidas da experiência mundana. Para falar de Carlos, trago um fragmento de seu já clássico, "O Amor bate na aorta": "Certos ácidos adoçam a boca murcha dos velhos e quando os dentes não mordem e quando os braços não prendem o amor faz uma cócega o amor desenha uma curva propõe uma geometria." Não atoa que o Sentimento é avassalador, perigoso e violento. É o ácido que corrói as paredes que criamos em nossos corpos e em nossas cabeças repletas de milhões de histórias. Ainda que seja quase leviano falar de corpo e de cabeça como coisas separadas, são uma só. Mas peço perdão pelo didatismo...

Npgeoh em peso na nova edição da Revista Geograficidade! 💙

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O número especial de 10 anos do SEGHUM da Revista Geograficidade foi lançado e conta com artigos, resenhas e experimentações das npgeoas Aline, Alice, Virgínia, Valéria e Marina! Confira aqui!  💙 v. 10 (2020): Outono 2020 - Número Especial - Entre passado e futuro: SEGHUM 10 anos 💙 💙 💙 💙

O pássaro avuô: diário de bordo sobre práticas de afloramento das geograficidades através do corpo.

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  Um Piaya Cayana , pássaro conhecido como alma-de-gato aqui no norte mineiro tem pousado-cantante nos primeiros planos das paisagens das minhas janelas. A última vez que vi um desses tão de perto foi enquanto era aluna de graduação, comprometida com as geomorfologias terráqueas; as formas que a dança entre a água, o ar e a terra deixam sob nossos pés. Aquele pouso nas grades da janela-leste, amanhecendo a atmosfera da avenida Antônio Carlos, me trouxe uma epifania. Naquele canto-pássaro que amanhecia, percebi uma ponte essencial entre os seres e a Terra. Precisava então me voltar para as humanísticas entrelaçadas naquelas morfologias. Precisava entender as intersubjetividades e subjetividades dos corpos no mundo. Os encontros entre as formas-corpo, as formas-alma, as formas-espirito e as formas-Terra. Desde aquele dia, essas foram  minhas geografias. Nesse caminho, encontrei pessoas que também buscavam encontros geografia-ser. Sedentas e bebendo bibliografias que me acalmara...

Quintal-de-mim

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Estou aqui pensando no quanto o quintal é esse lugar que abarca bordado e o plantar. O que é o quintal? "Meu quintal é maior que o mundo" diria o poeta Manoel de Barros.  Mas o que é um quintal? Quintal-mato, quintal-casa, quintal-mundo.  Quero falar do quintal-de-mim. Eu possuo vários quintais. Lugares no qual vou para colher algo, coletar desimportâncias, estar me deixando em fazer ou  não fazer. Algumas vezes ele nem é material, mas está em mim, é um canto de mim, uma cadeira que me deixo estrar comigo mesma, que tem algumas cores, rosas, com certeza, e que vingaram veja bem! Ele é um canto construído em mim que me abriga de maneira aberta - pois o quintal pode até ser cercado, mas ele ainda é aberto, possui em algum lugar a infinitude, seja o céu acima ou a vista à frente. Ou ambos. Ou apenas uma fresta que dá para isso. Então nele há algo de desprotegido, e como é bom às vezes abrir a guarda e se deixar afetar pelo que vem! Sobre os meus quintais externo, há o da min...

Dia Internacional do Bordado!

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  Hoje é dia Internacional do Bordado! Trouxe para nós assim, uma união linda e necessária, do bordado com a poesia! É um projeto de 2010 que foi desenvolvido em Contagem, Minas Gerais. O projeto chama-se "Bordando Poesia". 18 Bordadeiras se uniram e desenvolveram livros com poemas próprios bordados à mão. Vejam a seguir a foto de um desses feitos:  Foto retirada de  E essa data surgiu em 2011, quando, segundo as meninas do Clube do Bordado, na Academia de Bordado de  Täcklebo, na Suécia se uniram "(...)  artistas, educadores, curiosos e historiadores afim de promover o bordado como expressão artística e conscientizar sobre a tradição da técnica. A criação desse grupo surgiu com o propósito de criar uma comunidade para fortalecer laços de quem trabalha com bordado.". Lindo né? Fizeram até um manifesto, que pode ser lido em inglês nesse link  :  https://tacklebony.files.wordpress.com/2012/06/embroidery_manifesto_-english.pdf  e fala sobre o bo...

Lourence e a cozinha de santo

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Nos banhamos de uma aula muito potente com a professora e doutora Lourence Cristine Alves nesta última quinta-feira. Sua fala nos deu coragem. O tema foi sua pesquisa de tese "Onje: saberes e práticas da cozinha de santo".  Lourence fez da sua metodologia seus próprios passos na tese de forma natural. Simplesmente o que buscamos e estudamos com a fenomenologia. Nos mostrou muito respeito no processo humano com que conduziu o trabalho e além disso nos trouxe um novo universo de fontes e pensares. Fontes negras e pensares negros. Como elucidou a professora: "A alimentação sempre se mostrou como um diálogo entre as culturas, a fragmentação desse diálogo é feita por brancos". Sua  aula nos fez expandir em diversos raios através de uma perspectiva ancestral que vem de África. Foi um grande prazer recebê-la! Axé! Sua tese esta em caminho de se tornar livro e por isso ainda não será divulgada aqui. Siga a professora Lourence no Instagram! @lo_nacozinha

Deixar fluir e estar atenta deixar fluir e estar atenta....

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Quando a gente para de tentar controlar, o mundo nos ensina. E assim sigo com um pé de rosa com folhas. Vejamos... Era uma tarde de poda de roseiras (e eis aqui o primeiro ponto do mistério – as roseiras precisam ser podadas podadinhas todo o ano, para que deem flores. Dizem até que quando nasce uma rosa é bom que seja retirada para que a roseira continue florindo forte...vou buscar mais fontes sobre...) Mas continuemos, podas. Podadas sem dó. Machadadas nas que tinham galhos muito grossos. Coração até palpita, mas o que sabemos sobre a relação do machado com os galhos? Só da parte que lesa, retira, desmata. Mas pode ser muito mais. O mundo é mais e nossa sabedoria citadina é pouca. Mas machados, cortes, podas... E galhos sendo descartados. Galhos verdes. Galhos com folhas. E eu já havia aprendido algo – os brotos nascem nesses sulcos que ficam quando retiramos as folhas (eis aqui outro mistério, para que a muda se dê, há que se plantar o galho pelado. Mas como então ela se...

Chita saudadeira

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Hoje peço licença para falar de outras flores – as Chitas! Surgidas na Índia sem parecer ser de lá -   tenho aqui que desde sempre foi coisa do meu país Minas Gerais (sou meio orgulhosa de ser mineira, apesar dos pesares históricos e atuais... mas é que é muita beleza em gente, vista, cheiro e comida...). A Chita e o chitão (flores maiores) são para mim a expressão máxima das cores brasis. E mais, são a recordação da melhor época do ano – festas juninas/julinas.   Sem cair no estigma de vestir de jeca bem fei (nós é jeca mas é jóia), ela embeleza as barraquinhas de quitandas e comida, as saias rodadas das bailarinas da quadrilha, o lenço no pescoço ou no bolso do bailarino que acompanha a moça, na faixa do chapéu de palha, que é um primor dessa vida em questão de chapéu; ela dá vista ao alavantu e ao anarriê!   Eu vim para falar de chita pela saudade.... do cheiro de quermesse, da cor quermesse, do quente quermesse. O gosto da canela que vai no quentão e...

Do principinho - ser bordadeira plantadora escrevente

O que é ser bordadeira plantadora escrevente? Já faz pra lá de quase dois meses que iniciei meu intuito, e agora já começo a achar palavras para esse ser. Paciência e persistência talvez sejam as mais pensadas e não pensadas, os frutos das minhas delongas pessoais sobre o caminho que se segue. Hoje, mas de mês, não possuo flor plantada. Não vingou. Tive paciência de olhar e terei persistência no seguir. Hoje, mas de mês, possuo pouca coisa bordada. Não consegui deslanchar. Mas tive paciência para pensar e tentar outros modos e terei persistência no novo modo de seguir. Escrever então... estou escrevendo em pensamentos, mas isso não vale para o que quero. Então, paciência para sentar e persistência para prosseguir. Paciência também comigo mesma e meu processo. O fazer às vezes parece ser só o vai lá e faz. Mas vejamos o que está nas ocorrências do nosso entorno. E do nosso interno.   Conto do princípio Pensei em bordar rosas na espera que elas brotassem. Seria um ato...