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O mundo está repleto de deuses! (por uma geografia selvagem) 🌼🐗

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 A coluna "nossa geografia humanista" retorna em 2021 com um trabalho inadiável.  A dissertação   "O mundo está repleto de deuses: sacralização da natureza e conservação da vida"  da mestra  Vanessa Araújo! 💚 Para se entregar a essa leitura, é preciso estar atenta. É uma denúncia que destila a necessária raiva contra os processos que tem nos colonizado e banalizado, passando pelo cristianismo, a ciência moderna europeia e, claro, o capitalismo. Não se trata de palavras conjugadas para soar bonitas. Elas são enfretamento, conexão com algo de profundo, um ataque de garra no âmago - entende a crueza e a pertinência da terra que devora os seres, ao passo que combate a banalidade a que nos submeteu os processos de colonialidade e especismo científico cristão. Exorta: o primeiro passo para a destruição do nosso mundo, das pessoas animais, pessoas vegetais e pessoas minerais, foi a dessacralização operada pela cristianismo, levado a cabo pela ciência moderna europeia e in

Seguimos em frente! 💙

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O NPGEOH retomou os trabalhos em março de 2021 e desde então segue a todo vapor! 💙 Iniciamos esse ano pandêmico de 2021 com nossa reunião mensal de abertura ocorrida no dia 5 de março , quando nos afagamos um pouco para renovar as energias dos encontros para um novo ano virtual. Discutimos e sonhamos planos para esse ano, alguns já em vias de se concretizar. A reunião nos firmou no compromisso de seguir pensando a geografia humanista e delineando práticas, não apenas palavras.  Abrimos os encontros de estudo do ano com dois encontros para lá de especiais: 1) A roda de conversa "Cartografias sociais e os sentires ser-natureza" , com a nossa membra, agora mestranda em Geografia pela UFAM, Alice Bessa, sobre seu projeto de mestrado no dia 19 de março de 2021.  2) A roda de conversa com nossa antiga membra, presente viva nos corações, Vanessa de Araújo sobre sua dissertação, defendida no PPGEO UFMG: "O mundo está repleto de deuses - sacralização da natureza e conservação

[GLOSSÁRIO] R de Religiosidade

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RELIGIOSIDADE por  Juliana Martins Fonseca Harmonia Rosales, The creation of God. (Fonte: laparola.com.br) Estamos perdidas, perdidos, perdides, sozinhas, sozinhos e sozinhes. O ser humano possui uma persistente necessidade de estabelecer o sentido da vida e ter respostas assertivas acerca das incertezas da nossa mente e do mundo da vida. Contudo, essa tarefa não é fácil e gera um mal-estar sobre o nosso futuro. Diante disso, às vezes, criamos atalhos para acabar com o sentimento de insignificância frente a grandeza do Universo.  Um dos atalhos possíveis é a religião. Ela é definida como um conjunto de crenças e visões de mundo que relacionam os seres humanos com um Deus e estabelece valores morais e de conduta para uma vida em sociedade coesa e pacífica. A religiosidade é a forma que a religião acontece, ou nos acontece. Vale lembrar que o conceito de religiosidade, e também o de religião, como descritos acima, são usados apenas pelas bandas de cá, do Ocidente. A s práticas espirituai

Diário a bordo do fim dos tempos de colheita, equinócio de outono, 2021.

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(Inauguração da Série: Equinócios; solstícios e ápices sazonais nas estações do corpo-Terra) Dibujos dos diários - Alice Bessa Os cabelos voavam com a brisa do rio e o furar do espaço-tempo que uma bicicleta provoca. Senti cheiro de sangue, seria o meu ou da Mãe Terra? Lembrei-me: o equinócio de outono se aproxima. Um dos fios epistemológicos geográficos que mais me fascina é o estudo dos movimentos da Terra. Sua dança que produz nosso tempo. Meus fios ondulados receberam também luz de sol naquela manhã. Os pensamentos uterinos, molhados de sangue foram até a posição dos astros.   A antiguidade tinha uma relação muito íntima com esses movimentos celestiais. Saudávamos o tempo da Mãe Terra de forma orgânica. Hoje o que restou para a grande massa de seres humanos terrenos é o calendário ocidental. A geografia, assim como a física, guardou a matemática desse estudo, mas ela - a geografia - faz pontes que relaciona essa dança [de forma limitada] aos ciclos da natureza na Terra. O colchet

[FotoGrafiar] Geografias de/em Mim por Dhéssica Karen Pires Nunes

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  Geografias de/em Mim por  Dhéssica Karen Pires Nunes Graduanda em Licenciatura em História, UNIFESSPA (Univercidade do Sul e Sudeste do Pará). Disciplina: Geografias, Imagens e Educação.  Durante o ensino remoto (devido a pandemia), tive a oportunidade de participar da disciplina: "Geografia, Imagens e Educação", onde pudemos observar diferentes tipos de linguagens que podem ser utilizadas como ferramentas do ensino da geografia.  Uma dessas linguagens foi a fotografia, que despertou diversas inquietações durante e depois da oficina que nos foi oferecida; ao final da disciplina, tivemos que desenvolver um trabalho artístico que envolvesse alguma linguagem que até então havíamos trabalhado. Diante dessa proposta, resolvi usar a fotografia como saber geográfico para me expressar diante da turma, e para dar um “novo” significado, busquei de forma criativa, me colocar dentro de cada imagem e legenda.  Partindo do ponto que a Geografia só é possível ser feita, porque damos sen

[GLOSSÁRIO] B de Buteco

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 BUTECO por Ludmila Virgínia Pereira Gondim Eu aprendi a gostar de futebol com o meu pai, e cerveja também. Eu aprendi a gostar de buteco com o meu pai, e que cerveja deve ser bebida em copo lagoinha, aquele tal de copo americano que aqui em Minas ganhou um nome mais simbólico, boêmio e afetivo. Eu aprendi que futebol e buteco, além do bom torresmo de tira-gosto, fazem parte desse ar boêmio que carrega a atmosfera de BH. Mas tem uma coisa que meu pai não me ensinou (inclusive, para ele é um desgosto) que mulher sozinha em buteco assistindo futebol incomoda o patriarcado.  O buteco é o templo sagrado do homem. Lá, ele xinga palavrões, fala da mulher dos outros, xinga jogadores, faz piadas de baixo calão, bebê sua cerveja e umas doses de cachaça, fuma um cigarro escondido da família, joga seu truco apostando dinheiro. No buteco, entre os parças, não há tempo para o julgamento, nesse lugar o homem transpira testosterona. Mas tudo fica mais tímido quando uma mulher ocupa esse lugar, é como

[GLOSSÁRIO] F de Futebol

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FUTEBOL   por Augusto de Souza Diana Costa Futebol se joga no estádio? Futebol se joga na praia, futebol se joga na rua, futebol se joga na alma. A bola é a mesma: forma sacra para craques e pernas-de-pau. Mesma a volúpia de chutar na delirante copa-mundo ou no árido espaço do morro. São vôos de estátuas súbitas, desenhos feéricos, bailados de pés e troncos entrançados. Instantes lúdicos: flutua o jogador, gravado no ar – afinal, o corpo triunfante da triste lei da gravidade. Carlos Drummond de Andrade, 1970. Shiu... No meu futebol não se mexe! Particularmente desde que me entendo como pessoa na minha família, e acredito que na de vários outros que leem esse texto, sempre houve a máxima de que futebol, política e religião não se discutem. São temas que sempre há um temor em tratar de forma mais séria. Passam por nossas vidas desde o nascimento e é bem improvável que em algum ponto de nossa trajetória não tenha se discutido algum desses temas. Nesse texto vou tratar de futebol para most

Ventos do passado: nosso NPGEOH em 2020!

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"É bizarro como a gente esquece tudo que a gente já fez na vida.  Tudo que a gente superou, tudo que a gente já fez para chegar onde tá ..." Bianca Dellafancy Essa publicação é para as minhas amadas  nepegeanas . Não que, caso não sejas membra ou membro do NPGEOH, não devas ler essa publicação, pois ao contrário. No entanto, talvez o que falo aqui bata mais forte naquelas que, ao longo de 2020, construíram e redescobriram as formas de ser e pensar NPGEOH. Desde o início de 2020, vínhamos remontando, coletivamente, as peças desse grande mosaico que é esse grupo de pesquisa, estudo, pensamento, diálogo ... e nesse movimento, buscar novas formas para realizar essa construção. Em nossa primeira reunião, no dia 06/03/2020, no Laboratório de Climatologia e Biogeografia do Instituto de Geociências/UFMG, socializamos nossas propostas de trabalho para o ano que se iniciava, organizamos calendários, definimos grupos de estudos, desmembramos o modelo monolítico na qual organizávamos o g

[GLOSSÁRIO] S de Sentimento

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  SENTIMENTO Sempre quando penso (ou falo, escrevo, sonho, perâmbulo) sobre Sentimento, retomo a memória os poemas de Carlos. Um acesso quase que inconsciente, mas sempre oportuno. Sentimento diz mais da afetação do mundo, da disponibilidade do corpo a ser adentrado e maculado pela imensidão das forças que atravessam o ordinário dos dias, do que, apenas, de fabulações interiores desprendidas da experiência mundana. Para falar de Carlos, trago um fragmento de seu já clássico, "O Amor bate na aorta": "Certos ácidos adoçam a boca murcha dos velhos e quando os dentes não mordem e quando os braços não prendem o amor faz uma cócega o amor desenha uma curva propõe uma geometria." Não atoa que o Sentimento é avassalador, perigoso e violento. É o ácido que corrói as paredes que criamos em nossos corpos e em nossas cabeças repletas de milhões de histórias. Ainda que seja quase leviano falar de corpo e de cabeça como coisas separadas, são uma só. Mas peço perdão pelo didatismo

Viva a Lívia de Oliveira!

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Hoje, dia 18 de dezembro de 2020, encerramos o ano no Npgeoh com um brinde a Lívia de Oliveira. Compartilhando momentos, reflexões e ideias que compuseram nossos diferentes encontros com essa grande geógrafa! Viva Lívia de Oliveira!  💙 Brindamos juntas e juntos sua paixão pela novidade, pela geografia feita nas bordas, nos lugares esquecidos desse campo do saber, sua coragem e autenticidade, sua geografia feita no afeto, seu devir jovem e sábia.   Que desbravou até o último instante caminhos na nossa geografia humanista.  Um brinde por Valéria Amorim