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Mostrando postagens com o rótulo trabalho de campo

"Sou Alice, da bacia do Opará e você? É de qual bacia?" 💦💙

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Em meio ao silêncio barulhento da cidade, de onde escrevo, reflito: é imperativo o retorno da coluna "nossa geografia humanista" após algum tempo de interrupção. Isso porque está no ar a dissertação de mestrado da agora doutoranda Alice Bessa (UFAM).  A dissertação "Opará vive em Francisco, Rosa e Maria: Imersões na paisagem-rio de barrancas em ameaça"   da mestra Alice de Bessa Silva está disponível para imersão e leitura.  A força de suas palavras canta uma paisagem e aprofunda um porto numa geografia desde aqui. Mais do que isso: nos revela um rio São Francisco vivo, ameaçado e resistente. Nos lembra da importância de se entender a natureza em suas corredeiras, em suas vertentes, em seus rios que se juntam e caminham água: em suas bacias hidrográficas. O trecho que dá título a esse comunicado é de Alice (BESSA, 2023, p. 134): "Sou Alice, da bacia do Opará e você? É de qual bacia?". Revela um sonho ou, quiçá, uma sociedade que se faz em outros termos.  O...

[TRAVESSIA] Um caminhante e um poeta - Testamento

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  TESTAMENTO A sorte é que a morte um dia encontrará meu corpo. Quero estar cheio de vida para quando me deparar com ela viver a intensidade imensurável de cada instante. Os sons do ar misturam flutuantes e se perdem na estrada incoerente em que construí minha vida. A degustação insossa não comove minha alma. Os paralelepípedos se estendem pelo chão marcando divisas com a terra vermelha. Nesse terreno inclinado, ladeira a baixo posso cair. Imbricar-me no mato dentro. Quando morrer serei adubo fresco imergindo na terra molhada. As estrelas de anteontem destilavam alegria e dor. O rio que corta a serra encaixa-se entre dois paredões maciços enquanto as desordens da minha pele vão se desfazendo sem nenhum esforço. Nesse caminho aberto por deus sabe lá quem, encontro a vida que me restava para assumir minha condição mortal. Aceito as perdas, Aceito o fim. Um dia estarei distante, além desse meu mundo. Um dia meu mundo não irá mais existir. Resistirá os sonhos, segredos e mistérios, des...

Encontros com a educação - Profa. Dra. Álida Alves Leal (FAE/UFMG)

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No dia 16 de julho de 2021, o Npgeoh recebeu a Profa. Dra. Álida Alves Leal, da Faculdade de Educação da UFMG, para uma conversa sobre sua trajetória e o ensino de Geografia.  Na ocasião, discutimos sobre os (des)caminhos possíveis da Educação com as novas normativas curriculares, a reforma do Ensino Médio e a BNC Formação que vai influenciar diretamente a formação de professores e o currículo das licenciaturas em Geografia.  Para conhecer um pouco mais do trabalho da professora Álida, acesse:  "Passos de professores em rastros da metrópole: explorando geo-grafias docentes" (Dissertação de mestrado, 2011) "Desafios comuns, enfrentamentos singulares: narrativas de jovens docentes iniciantes no ensino médio público " (Tese de doutorado, 2017).  🌄🌆 O Npgeoh consolidou uma linha de pesquisa que atua no debate sobre o ensino de Geografia, trazendo pontes com a Geografia Humanista que se faz na escola, num olhar sempre atento ao contexto político em que essas práticas ...

[TRAVESSIA] Um caminhante e um poeta - Milagres

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 MILAGRES Tenho frio. E o desejo de retorno me consome. Mas apuro as papilas de minha boca, e sinto cortar na língua o doce sabor do café e do cravo cozidos no fogo que envolvia a lenha, transformando-a em brasa. Meu corpo inteiro se curva e adentra nesse contorcer adocicado, costurando caminhos de retorno ao mais primitivo instante de criação daquele líquido. Os pés de café. Da força da terra brota o grão-semente que gera vida para a eternidade. Retornava ao orgânico de minha vida, ao barro, ao pó. Esse desejo de imbricar-me nas veias expostas do chão e me enterrar. Engoli o lugar Tabuleiro degustando o sabor doce das terras de sua Serra. No fogão a lenha, o conforto da chama que invade o bule, e funde a água com o pó de café moído com cravo. Criação das mãos poetas de seu Zé. Meu corpo se conforta. Pois retornei ao mais profundo repouso de minha alma. A Terra-Tabuleiro. Desejo de meu corpo. Acalento orgânico para a o sem fim.

Sobre desabafos

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Ontem publicamos um texto, verdadeiro desabafo, que demonstra mais do que aponta nossos próprios limites. Fruto de uma longa conversa que vem sendo tecida no virtual, amarra nossas dúvidas, indisposições e sofrimentos quanto nossa atuação cotidiana. O texto é, ou deveria ser, o início de uma nova coluna do blog ("Em diálogos"). As reações ao texto foram fortíssimas. Acompanhamos a distância as visualizações crescerem mais do que nossos outros textos, alguns tão autocríticos e sofridos quanto.  Fotografia de Alice Bessa (05/01/2017) Nos tempo em que estamos, tentando sobreviver, nossa incapacidade de agir em prol de alguma transformação social é o mote das nossas conversas de todo dia, não mais nos corredores e jardins, mas nos grupos de Whatsapp. Acolhemos, enquanto grupo, medos quanto a insuficiente das forças na luta diária e cotidiana dos povos dessas terras que se veem afogados por barragens, distorcendo a própria substância água que deveria ser pra vida, ou sedentos por ...

[TRAVESSIA] Um caminhante e um poeta - Mestre

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                                                                                                         MESTRE Cabelos brancos, ralos. O corpo deriva na trilha, tateando com os pés calçados a terra que sacralizou sua história. Sua voz fraca ressoa entre um ou dois ouvidos. Pouco fala. Seu silêncio contempla os mundos que se abrem. A criação. Seu olhar é tenro, carinhoso e paterno. Talvez vacile, ou tente esconder o brilho fraternal que emana de sua vista. Não sei. Mas encontro nele o consolo humano, a confiança, a fé. A esperança contorna suas marcas de luta, tempo e história. Trilhas atravessadas entre o sonho e a resistência. Bernardo! Caminhos cruzados. Palavras que transf...

[TRAVESSIA] Um caminhante e um poeta - Conversão

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 CONVERSÃO há dias na vida em que o céu parece desabar. o imaginário humano do paraíso acima de nossas cabeças permeia minha consciência. ainda olho para cima em busca de respostas de algo que é maior que eu, e que não posso atingir. me volto aos céus e rezo em oração profana de um corpo errante. Era quinta feira, e a neblina densa que vinha do Espinhaço descia em direção a Lapinha. A luz do sol era difusa, em meio a suspensão líquida que cortava o céu. Baixando, cuidadosamente, vinha encontrar o amanhecer de um novo dia nas terras banhadas pelo córrego da Lapinha e pelo córrego do Mato Capim. O encontro das águas. As do céu e as da Terra. A neblina, pura, carregando as menores das substâncias em seu corpo volátil que polula o céu da Serra. Os córregos, correntes líquidas repletas de sedimentos de areia, argila, silte, folhas, pisadas, corpos. A medida que descia em direção ao chão, a neblina não invadia, mas envolvia a paisagem. Não se tratava de uma sobreposição, mas um encontro....

[FotoGrafiar] Por uma Geografia ordinária através da arqueologia das imagens fotográficas

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 Criação de Valéria Amorim do Carmo "A foto lembra, minha avó...nós morávamos em um lugar que tinha muitos pés de goiabas e ela fazia doce de goiaba é nos colhíamos as goiabas e ela fazia o doce de goiaba numa tacha como o da foto. Ficava maravilhoso. Ela sempre gostou de cozinhar no fogão á lenha e de fazer doces de mamão, goiaba, abóbora, etc. Como minha avó veio do interior e eu passei boa parte da infância com ela, nós plantávamos muita coisa e fazíamos muitos doces e outras coisas também...claro” "o meu encontro com o Vale Jequitinhonha se deu de formas a travessar-me. Muita coisa em mim chega antes desapercebidas, ou ainda não havia me encontrado. As marujadas, catopés e folias de reis também me encontraram, sensações de alegria com o canto, com o tocar do tambor, com a fé. As portas das igrejas católicas se abrem para a fazeção de um enorme momento de fé. As roupas, com cores que simbolizam alguma querência (paz, saúde, amor), mas que também representam santos de fé. O...

Lugar de reza em tempos de festa: Tibuna/MG

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Na coluna "nossa geografia humanista" de hoje, apresento o trabalho de conclusão do curso da nossa querida npgeoniana geógrafa professora  Ludmila Virgínia Pereira Gondim , denominado "Tibuna: um lugar de reza em tempos de festa" , apresentado ao  Departamento de Geografia da UFMG em 2016.  Ludmila vive o sagrado em tempos de festa na pequena comunidade mineira de Tibuna. " Apesar da proximidade com Belo Horizonte, a comunidade possui características entrelaçadas de um cotidiano citadino e rural. Preserva ao longo dos anos uma memória cultural religiosa que é passada através das gerações pela manutenção de um modo de ser do homem religioso e pelo reviver da experiência religiosa no período festivo." (GONDIM, 2016, p. 7). Fotografia de Ludmila Gondim (2016) Confira um trecho desse trabalho abaixo.  BATENDO O MARTELO Embarquei pela estrada dessa pesquisa me propondo a fazer diversas coisas como participar da festividade de São Geraldo não apena...

“Eu vejo Deus no fio da água que brota na terra.” (D. Maria)

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Na coluna "nossa geografia humanista" de hoje, apresento um trabalho que vem dos primórdios da nossa trajetória em grupo de geografia humanista, dos primeiros passos desse caminho que nos faz caminhantes ainda hoje... "Representações da seca no imaginário dos sujeitos rurais da Inhaúma-MG"   é a tese de doutorado da professora doutora Virgínia de Lima Palhares , apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFMG em 2010.  Virgínia segue o rastro da seca no olhar e na fala do povo de Inhaúma-MG, descobrindo gentes e paisagens no processo. Fotografias de Virgínia Palhares (2010, p. 151) Confira abaixo um trecho desse trabalho fundamental! Representar o universo simbólico dos sujeitos rurais da Inhaúma por meio da imagem foi uma experiência fascinante. Durante a pesquisa em campo, nosso olhar foi direcionado diversas vezes para atender ao olhar de nossos guias. Embora não tenham sido eles próprios os autores das fotografias, elas foram reg...

[TRAVESSIA] Um caminhante e um poeta - Princípio

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PRINCÍPIO   Nas águas claras de uma quarta feira de outono, o sol forte, meu corpo invadido por um calor intensificado pela subida. Estava quente, e a estrada nem sempre continha em sua volta arvores grandes para sombrear o caminho. paramos em frente a um riacho. rolava sereno, da cabeceira até desaguar no Riachinho. Entrei, e largando para trás meu cantil, com água urbana metalizada, enchi uma boa caneca numa bica que se formava entre as rochas, e bebi. Era gelada, fresca. Não havia calor. Havia liberdade. A água também corria por meu corpo e enquanto descia, contava histórias da profundidade daquela serra. Do telúrico e do substancial. No Espinhaço, a água é a potencia que desperta a imaginação. Recobra pra si todos os sonhos daquela terra. Cobre toda a extensão, e habita grandes drenagens que alimentam toda a gerais. A água atravessa meu corpo. A água compreende o verdadeiro sentido de atravessar. Transita, da nascente a foz, para desaguar e continuar a correr até ...

Mulheres e plantas: um saber desde o quintal

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Na coluna "nossa geografia humanista" de hoje, apresento o trabalho de conclusão de curso de Letícia Moraes, intitulado  "As Mulheres e as Plantas – uma ligação ritualística entre o feminino e o todo" ,  apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Ciências Socioambientais pela Universidade Federal de Minas Gerais em 2015. Letícia Moraes percorre os quintais na comunidade de André do Mato Dentro, localizada em Santa Bárbara - MG, conversando com mulheres sobre plantas e curas. Sussurram nos seus ouvidos e corpo os ensinamentos de Clarissa Pinkola Estes, autora de "Mulheres que correm com lobos" (1994), que se entrelaçam na carne viva e verde desses seres que ela encontra em campo. Seu trabalho testemunha uma relação orgânica entre mulheres e suas terras, seus quintais habitados por seres potentes e diversos, indicando a necessidade tangente da permanência dessa comunidade frente aos desvarios do capital, aqui explicitado pe...

[FotoGrafiar] À sombra da jaqueira

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por Valéria Amorim do Carmo

Tabuleiro, sexta-feira, outono de 2017

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A crônica a seguir, é a terceira e ultima parte da sessão POÉTICAS DO SENTIR OU O CORPO EM MISTURA COM O RIO QUE SE ENGOLE. Das palavras que restavam em minha boca, saudade. Último dia de caminhada, e na água que corre, a chuva descia fraca, mas fria, tomando meu corpo já preparado para descer o último percurso da serra. O Espinhaço em tormento. Me perdi na neblina densa, enquanto os chuviscos gelavam minha pele. Sem capa de chuva. Às vezes sem chão. Ao céu entregue. Sobre pedras e chão enlameado teci minha caminhada. Escondendo da chuva que cai. Tinha medo e frio. As dores de dois dias de caminhada assombravam meus pés. E sem perceber, me pus a caminho. Seguindo. Encontrando. Não estava sozinho, ainda que o silêncio habitasse os corações dos que caminhavam comigo. Não estava sozinho. Corria as águas pelas pedras rígidas, descia chuva transformada em cascata. Em córrego. Em rio. Sabe se lá se isso é coisa do destino. No findar da travessia, meu corpo insistia em venc...