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Trajetórias em Geografia Humanista - encontro com a Profa. Dra. Amélia Nogueira

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No dia 14 de maio de 2021, o NPGEOH passou uma noite para lá de especial. Tivemos o prazer de receber a Profa. Dra. Amélia Regina B. Nogueira para um bate papo livre que logo se transformou em várias aulas sobre a trajetória da professora e as possibilidades de criação de uma geografia verdadeiramente humanista. Amélia Nogueira, professora da UFAM, nos brindou com um relato da sua trajetória que se entrelaça com a configuração da geografia humanista brasileira, passando por diversas universidades e pelos seus encontros com outros membros da área. Seu trabalho com mapas mentais revelou um uso da metodologia para compreensão e síntese dos conhecimentos do povo que vive os rios e as matas no seu cotidiano. Nesse sentido, demonstrou como sua geografia humanista se faz a partir da consideração da vivência das pessoas e perpassa tudo o que essas vidas trazem: os embates e lutas cotidianas, os conflitos que se estabelecem onde quer que haja povo conhecedor de mundo em resistência contra a pre...

O mundo está repleto de deuses! (por uma geografia selvagem) 🌼🐗

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 A coluna "nossa geografia humanista" retorna em 2021 com um trabalho inadiável.  A dissertação   "O mundo está repleto de deuses: sacralização da natureza e conservação da vida"  da mestra  Vanessa Araújo! 💚 Para se entregar a essa leitura, é preciso estar atenta. É uma denúncia que destila a necessária raiva contra os processos que tem nos colonizado e banalizado, passando pelo cristianismo, a ciência moderna europeia e, claro, o capitalismo. Não se trata de palavras conjugadas para soar bonitas. Elas são enfretamento, conexão com algo de profundo, um ataque de garra no âmago - entende a crueza e a pertinência da terra que devora os seres, ao passo que combate a banalidade a que nos submeteu os processos de colonialidade e especismo científico cristão. Exorta: o primeiro passo para a destruição do nosso mundo, das pessoas animais, pessoas vegetais e pessoas minerais, foi a dessacralização operada pela cristianismo, levado a cabo pela ciência moderna europeia ...

[GLOSSÁRIO] B de Buteco

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 BUTECO por Ludmila Virgínia Pereira Gondim Eu aprendi a gostar de futebol com o meu pai, e cerveja também. Eu aprendi a gostar de buteco com o meu pai, e que cerveja deve ser bebida em copo lagoinha, aquele tal de copo americano que aqui em Minas ganhou um nome mais simbólico, boêmio e afetivo. Eu aprendi que futebol e buteco, além do bom torresmo de tira-gosto, fazem parte desse ar boêmio que carrega a atmosfera de BH. Mas tem uma coisa que meu pai não me ensinou (inclusive, para ele é um desgosto) que mulher sozinha em buteco assistindo futebol incomoda o patriarcado.  O buteco é o templo sagrado do homem. Lá, ele xinga palavrões, fala da mulher dos outros, xinga jogadores, faz piadas de baixo calão, bebê sua cerveja e umas doses de cachaça, fuma um cigarro escondido da família, joga seu truco apostando dinheiro. No buteco, entre os parças, não há tempo para o julgamento, nesse lugar o homem transpira testosterona. Mas tudo fica mais tímido quando uma mulher ocupa esse luga...

Viva a Lívia de Oliveira!

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Hoje, dia 18 de dezembro de 2020, encerramos o ano no Npgeoh com um brinde a Lívia de Oliveira. Compartilhando momentos, reflexões e ideias que compuseram nossos diferentes encontros com essa grande geógrafa! Viva Lívia de Oliveira!  💙 Brindamos juntas e juntos sua paixão pela novidade, pela geografia feita nas bordas, nos lugares esquecidos desse campo do saber, sua coragem e autenticidade, sua geografia feita no afeto, seu devir jovem e sábia.   Que desbravou até o último instante caminhos na nossa geografia humanista.  Um brinde por Valéria Amorim

Por uma fenomenologia feminista

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Participante no Coloquio Filósofas , que ocorreu entre 25 e 27 de novembro de 2020, a professora Dra. Juliana Missaggia (UFSM) proferiu a palestra "In Defense of Feminist Phenomenology: Lived Body, Facticity and the problem of Essentialism".  A palestra abordou como a questão do corpo aparece nos fenomenologos Husserl e Heidegger sem gênero ou raça na vivência do mundo intrínseca a existência da relação intencional. Trouxe ainda as contribuições da fenomenologa Simone de Beauvoir, e da sua obra de filosofia que coloca o gênero no corpo que experiencia. Contribuições que reverberam em novas possibilidades de investigação na própria geografia humanista, vindo ao encontro das reflexões que já realizamos aqui. O trabalho foi publicado em artigo, acesse aqui. Para ver a palestra, acesse aqui.

O que perdemos quando silenciamos?

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Proposta e facilitada pelas membras integrantes da linha de gênero do Npgeoh - Alice Bessa, Aline Nogueira e Letícia Moraes -, a primeira roda de conversa sobre gênero do grupo aconteceu na última sexta-feira, 23 de outubro de 2020.  Abordamos diversos aspectos do silêncio da mulher, suas causas e consequências. Regamos essa roda com trechos de obras diversas, de Virginia Woolf a Clarisse Pinkola, passando por Maya Angelou e Marilena Chauí.  Fruto das nossas interrogações, elaboramos uma cachoeira de palavras coletiva que tornou evidente o que nós, mulheres, mais perdemos quando somos silenciadas (ou mesmo quando nos silenciamos): tempo 💥 A roda de conversa foi inspiradora de pensamentos e mudanças. Uma construção coletiva, que reuniu literatura, experiências e reflexões. 💚 **A roda de conversa ocorreu virtualmente devido a pandemia da Covid-19. Todas as atividades do grupo estão sendo realizadas nessa modalidade. 

O pássaro avuô: diário de bordo sobre práticas de afloramento das geograficidades através do corpo.

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  Um Piaya Cayana , pássaro conhecido como alma-de-gato aqui no norte mineiro tem pousado-cantante nos primeiros planos das paisagens das minhas janelas. A última vez que vi um desses tão de perto foi enquanto era aluna de graduação, comprometida com as geomorfologias terráqueas; as formas que a dança entre a água, o ar e a terra deixam sob nossos pés. Aquele pouso nas grades da janela-leste, amanhecendo a atmosfera da avenida Antônio Carlos, me trouxe uma epifania. Naquele canto-pássaro que amanhecia, percebi uma ponte essencial entre os seres e a Terra. Precisava então me voltar para as humanísticas entrelaçadas naquelas morfologias. Precisava entender as intersubjetividades e subjetividades dos corpos no mundo. Os encontros entre as formas-corpo, as formas-alma, as formas-espirito e as formas-Terra. Desde aquele dia, essas foram  minhas geografias. Nesse caminho, encontrei pessoas que também buscavam encontros geografia-ser. Sedentas e bebendo bibliografias que me acalmara...

Mulheres e plantas: um saber desde o quintal

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Na coluna "nossa geografia humanista" de hoje, apresento o trabalho de conclusão de curso de Letícia Moraes, intitulado  "As Mulheres e as Plantas – uma ligação ritualística entre o feminino e o todo" ,  apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Ciências Socioambientais pela Universidade Federal de Minas Gerais em 2015. Letícia Moraes percorre os quintais na comunidade de André do Mato Dentro, localizada em Santa Bárbara - MG, conversando com mulheres sobre plantas e curas. Sussurram nos seus ouvidos e corpo os ensinamentos de Clarissa Pinkola Estes, autora de "Mulheres que correm com lobos" (1994), que se entrelaçam na carne viva e verde desses seres que ela encontra em campo. Seu trabalho testemunha uma relação orgânica entre mulheres e suas terras, seus quintais habitados por seres potentes e diversos, indicando a necessidade tangente da permanência dessa comunidade frente aos desvarios do capital, aqui explicitado pe...

Um poema que chega forte ❤

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Manaus -  Fotografia de Alice Bessa / outubro de 2018 na coluna 'nossa geografia humanista' de hoje, ecoo uma troca, conversa dialogada em íntimo, mais que necessária.  sinto a poeta falar. sinto a poesia gritar. adentro as imagens. as imagens cortam a pele, que refaz a mulher. reinvenções necessárias para nos habitarmos do sangue que nos fez, hoje reprimido à custa de tanta violência. deixar essas conexões adentrarem a carne que somos, deixar a reinvenção de nós mesmos produzir uma nova forma de habitar: com respeito. esse respeito urgente, negro.  Grito Noémia de Sousa ao irmão J.M.  Neste anoitecer sangrento de Moçambique chega-me, segura, a tua voz irmão,  inchada pela distância e pela saudade... Misturada com os cantos escravos dos negros regressando do trabalho, chega-me de longe a tua voz fraterna nítida como a lua cheia no espaço, trazendo-me a mensagem da tua palavra afiada de lutador, a esperança sempre re...