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[GLOSSÁRIO] P de Política

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  POLÍTICA Por Fernanda Cristina de Paula* Nunca concordei. Em tempos de Pandemia lemos ou ouvimos, com frequência, frases como: “É preciso não politizar o vírus” ou “Não podemos politizar a vacina” e eu nunca concordei. Mais do que isso: sempre estranhei, choquei. Finalmente, me perguntei: o que essas pessoas entendem por política? E quando digo “essas pessoas” estou me referindo à sociedade civil, a cientistas, jornalistas, formadores de opinião, pessoas com cargos no sistema político que defenderam esses bordões. E fica a questão: o que essas pessoas concebem como política? A pergunta, obviamente, é mais um exercício de retórica, pois, desde a perspectiva a partir da qual viso o mundo, a forma como essas pessoas pensam o que é política já está errada. Fonte: https://www.brasildefato.com.br/2021/05/13/pais-adota-politica-de-morte-direcionada-a-corpos-negros-diz-advogada-da-coalizao * * * Hannah Arendt, no livro póstumo intitulado “O que é Política?” diz: “A política se basei...

Encontros com a educação - Profa. Dra. Álida Alves Leal (FAE/UFMG)

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No dia 16 de julho de 2021, o Npgeoh recebeu a Profa. Dra. Álida Alves Leal, da Faculdade de Educação da UFMG, para uma conversa sobre sua trajetória e o ensino de Geografia.  Na ocasião, discutimos sobre os (des)caminhos possíveis da Educação com as novas normativas curriculares, a reforma do Ensino Médio e a BNC Formação que vai influenciar diretamente a formação de professores e o currículo das licenciaturas em Geografia.  Para conhecer um pouco mais do trabalho da professora Álida, acesse:  "Passos de professores em rastros da metrópole: explorando geo-grafias docentes" (Dissertação de mestrado, 2011) "Desafios comuns, enfrentamentos singulares: narrativas de jovens docentes iniciantes no ensino médio público " (Tese de doutorado, 2017).  🌄🌆 O Npgeoh consolidou uma linha de pesquisa que atua no debate sobre o ensino de Geografia, trazendo pontes com a Geografia Humanista que se faz na escola, num olhar sempre atento ao contexto político em que essas práticas ...

[TRAVESSIA] Um caminhante e um poeta - Milagres

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 MILAGRES Tenho frio. E o desejo de retorno me consome. Mas apuro as papilas de minha boca, e sinto cortar na língua o doce sabor do café e do cravo cozidos no fogo que envolvia a lenha, transformando-a em brasa. Meu corpo inteiro se curva e adentra nesse contorcer adocicado, costurando caminhos de retorno ao mais primitivo instante de criação daquele líquido. Os pés de café. Da força da terra brota o grão-semente que gera vida para a eternidade. Retornava ao orgânico de minha vida, ao barro, ao pó. Esse desejo de imbricar-me nas veias expostas do chão e me enterrar. Engoli o lugar Tabuleiro degustando o sabor doce das terras de sua Serra. No fogão a lenha, o conforto da chama que invade o bule, e funde a água com o pó de café moído com cravo. Criação das mãos poetas de seu Zé. Meu corpo se conforta. Pois retornei ao mais profundo repouso de minha alma. A Terra-Tabuleiro. Desejo de meu corpo. Acalento orgânico para a o sem fim.

[GLOSSÁRIO] E de Estádio de Futebol

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ESTÁDIO DE FUTEBOL Por Luiz Carlos Marinho Junior * A coisa mais importante das menos importantes. Confesso que o momento pelo qual meu time passa atualmente pode afetar meu julgamento sobre o que estou prestes a escrever, mas sinceramente, em 2013 meu time se sagrou tricampeão do campeonato Brasileiro, estava eu no ápice da minha felicidade com meu time, eu ainda nem havia entrado na faculdade, era um alienado, e já nesse período, eu m e revoltava com o que o fizeram com o Mineirão, o que fizeram com BH. Não entendia bem o que tinha ocorrido, mas sabia que algo não estava certo.   Lembro na época de criança como era ir ao Mineirão assistir uma partida de futebol, primeiro passo era o seguinte, meu pai tinha que convencer minha mãe de que iria levar meu irmão e eu, convenhamos que antes da reforma para a Copa, os estádios de futebol eram vistos como um ambiente hostil, violento, sujo, desconfortável, ora, peguei a época que nem cadeira tinha, a gente sentava em concreto ...

Os preparativos para o próximo Diálogos Humanistas já começaram...

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Já começamos a preparar o Diálogos Humanistas VII! Esse ano, temos a previsão de fazer nossos diálogos entre os dias 29, 30 e 31 de outubro de 2021. O evento se consolida como um espaço de troca de ideias humanistas e fenomenológicas e será 100% virtual novamente. Buscamos mais uma vez as conversas, trocas de ideias, comentários, bibliografias, entre os estudantes dos quatro grupos que o compõe! Nosso foco é sempre o diálogo! Este ano, ficamos ainda mais ricos, porque além do Ghuapo, NPGEOH e Ghente, agora temos também novos conversantes da PUC-MG! Logo mais nos encontramos!

Qualificação de mestrado 💙 Matheus Rodrigues

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💙💙  No dia 25 de junho de 2021, realizamos no Npgeoh a qualificação de mestrado do nosso querido membro Matheus Rodrigues.  Ele apresentou sua escrita parcial da dissertação de mestrado, intitulada "OCUPA UFMG 2016: A EXPERIÊNCIA DA OCUPAÇÃO ESTUDANTIL E A CONSTRUÇÃO DE SENTIDOS DA DOCÊNCIA" e recebeu as contribuições do grupo. Trocamos nossas impressões a partir da leitura e apresentação da escrita parcial e confabulamos o desejo por uma metodologia rica de trocas e sensibilidades ocupantes. Parabéns, Matheus! 💙

Ateliê de escrita | Morangos 🍓

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🍓 Em vermelho tom, fruta não nossa. Nunca vi morango no doce feito na roça. Mas vi na novela. E no programa de culinária. Então para amanhã teremos torta de morangos a ser servida para o chá da tarde com alguém. Uma toalha de rosas. Xícaras de porcelana com flor. Chapéu, tempo leve. Conversa, riso.  Temperatura calma. Chique.  Morangos são sonhos. E ficam lindo ali, enquanto a vivência do real não permite toalha de rosas com amigos. Letícia Moraes 🍓 Ultimamente penso em processos. Vou atrás do fenômeno, escavo a terra, exumo histórias, localizo, analiso e percebo. Fiz assim com uma bandeja contendo vinte morangos comprados a seis reais.  Os mineiros são os maiores produtores de morangos do Brasil.  O Sr. José, nascido em Sertãozinho, Minas Gerais, mudou-se para Pouso Alegre e lá colhe morangos há 35 anos. No seu casamento não teve bombons de morango. O dólar estava alto. Mas, quem come morangos? O Sr. José gostaria de viajar para o litoral em sua lua de mel, mas nã...

Trajetórias em Geografia Humanista - encontro com a Profa. Dra. Amélia Nogueira

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No dia 14 de maio de 2021, o NPGEOH passou uma noite para lá de especial. Tivemos o prazer de receber a Profa. Dra. Amélia Regina B. Nogueira para um bate papo livre que logo se transformou em várias aulas sobre a trajetória da professora e as possibilidades de criação de uma geografia verdadeiramente humanista. Amélia Nogueira, professora da UFAM, nos brindou com um relato da sua trajetória que se entrelaça com a configuração da geografia humanista brasileira, passando por diversas universidades e pelos seus encontros com outros membros da área. Seu trabalho com mapas mentais revelou um uso da metodologia para compreensão e síntese dos conhecimentos do povo que vive os rios e as matas no seu cotidiano. Nesse sentido, demonstrou como sua geografia humanista se faz a partir da consideração da vivência das pessoas e perpassa tudo o que essas vidas trazem: os embates e lutas cotidianas, os conflitos que se estabelecem onde quer que haja povo conhecedor de mundo em resistência contra a pre...

Diário a bordo do ápice outonal na lua nova de silêncio.

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A água do ar se espalhou em partículas de alta pressão. A palavra que soa boa disso tudo é: doar.   A umidade se foi acima, baixo, leste, sul, oeste e norte. É bom que tenhamos guardado gotículas dentro. É tempo de seca. Aqui, pelo menos, não se congela o que se resta de umidade. Ainda assim se sente cada grau dessa pressão nas veias e articulações. O ápice outonal esta entre a última lua cheia e a lua nova de hoje. Entretanto esse fulgor introspectivo combina mais com a saudosa lua nova a que nos encontramos. No hemisfério sul, acabamos de passar pelo Samhain (lê Souin), ritual em que se comemora o dia das bruxas. Pouco se ouve disso aqui, mas é como usar gorro natalino no verão tropical que se celebra esse dia no outubro sulino. Ter uma sazonalidade eurocêntrica é um blefe tão cego para quem existe aqui. Essa cegueira naturalizada me incomoda.   Aqui é ser-tão. Resistiremos e reexistiremos.   Há uma necessidade geográfica de fazermos a transmutação. E assim vamos muda...

O mundo está repleto de deuses! (por uma geografia selvagem) 🌼🐗

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 A coluna "nossa geografia humanista" retorna em 2021 com um trabalho inadiável.  A dissertação   "O mundo está repleto de deuses: sacralização da natureza e conservação da vida"  da mestra  Vanessa Araújo! 💚 Para se entregar a essa leitura, é preciso estar atenta. É uma denúncia que destila a necessária raiva contra os processos que tem nos colonizado e banalizado, passando pelo cristianismo, a ciência moderna europeia e, claro, o capitalismo. Não se trata de palavras conjugadas para soar bonitas. Elas são enfretamento, conexão com algo de profundo, um ataque de garra no âmago - entende a crueza e a pertinência da terra que devora os seres, ao passo que combate a banalidade a que nos submeteu os processos de colonialidade e especismo científico cristão. Exorta: o primeiro passo para a destruição do nosso mundo, das pessoas animais, pessoas vegetais e pessoas minerais, foi a dessacralização operada pela cristianismo, levado a cabo pela ciência moderna europeia ...