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Mostrando postagens com o rótulo Glossário

[GLOSSÁRIO] P de Política

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  POLÍTICA Por Fernanda Cristina de Paula* Nunca concordei. Em tempos de Pandemia lemos ou ouvimos, com frequência, frases como: “É preciso não politizar o vírus” ou “Não podemos politizar a vacina” e eu nunca concordei. Mais do que isso: sempre estranhei, choquei. Finalmente, me perguntei: o que essas pessoas entendem por política? E quando digo “essas pessoas” estou me referindo à sociedade civil, a cientistas, jornalistas, formadores de opinião, pessoas com cargos no sistema político que defenderam esses bordões. E fica a questão: o que essas pessoas concebem como política? A pergunta, obviamente, é mais um exercício de retórica, pois, desde a perspectiva a partir da qual viso o mundo, a forma como essas pessoas pensam o que é política já está errada. Fonte: https://www.brasildefato.com.br/2021/05/13/pais-adota-politica-de-morte-direcionada-a-corpos-negros-diz-advogada-da-coalizao * * * Hannah Arendt, no livro póstumo intitulado “O que é Política?” diz: “A política se basei...

[GLOSSÁRIO] B de Buteco

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 BUTECO por Ludmila Virgínia Pereira Gondim Eu aprendi a gostar de futebol com o meu pai, e cerveja também. Eu aprendi a gostar de buteco com o meu pai, e que cerveja deve ser bebida em copo lagoinha, aquele tal de copo americano que aqui em Minas ganhou um nome mais simbólico, boêmio e afetivo. Eu aprendi que futebol e buteco, além do bom torresmo de tira-gosto, fazem parte desse ar boêmio que carrega a atmosfera de BH. Mas tem uma coisa que meu pai não me ensinou (inclusive, para ele é um desgosto) que mulher sozinha em buteco assistindo futebol incomoda o patriarcado.  O buteco é o templo sagrado do homem. Lá, ele xinga palavrões, fala da mulher dos outros, xinga jogadores, faz piadas de baixo calão, bebê sua cerveja e umas doses de cachaça, fuma um cigarro escondido da família, joga seu truco apostando dinheiro. No buteco, entre os parças, não há tempo para o julgamento, nesse lugar o homem transpira testosterona. Mas tudo fica mais tímido quando uma mulher ocupa esse luga...

[GLOSSÁRIO] F de Futebol

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FUTEBOL   por Augusto de Souza Diana Costa* Futebol se joga no estádio? Futebol se joga na praia, futebol se joga na rua, futebol se joga na alma. A bola é a mesma: forma sacra para craques e pernas-de-pau. Mesma a volúpia de chutar na delirante copa-mundo ou no árido espaço do morro. São vôos de estátuas súbitas, desenhos feéricos, bailados de pés e troncos entrançados. Instantes lúdicos: flutua o jogador, gravado no ar – afinal, o corpo triunfante da triste lei da gravidade. Carlos Drummond de Andrade, 1970. Shiu... No meu futebol não se mexe! Particularmente desde que me entendo como pessoa na minha família, e acredito que na de vários outros que leem esse texto, sempre houve a máxima de que futebol, política e religião não se discutem. São temas que sempre há um temor em tratar de forma mais séria. Passam por nossas vidas desde o nascimento e é bem improvável que em algum ponto de nossa trajetória não tenha se discutido algum desses temas. Nesse texto vou tratar de futebol...

[GLOSSÁRIO] S de Sentimento

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  SENTIMENTO Sempre quando penso (ou falo, escrevo, sonho, perâmbulo) sobre Sentimento, retomo a memória os poemas de Carlos. Um acesso quase que inconsciente, mas sempre oportuno. Sentimento diz mais da afetação do mundo, da disponibilidade do corpo a ser adentrado e maculado pela imensidão das forças que atravessam o ordinário dos dias, do que, apenas, de fabulações interiores desprendidas da experiência mundana. Para falar de Carlos, trago um fragmento de seu já clássico, "O Amor bate na aorta": "Certos ácidos adoçam a boca murcha dos velhos e quando os dentes não mordem e quando os braços não prendem o amor faz uma cócega o amor desenha uma curva propõe uma geometria." Não atoa que o Sentimento é avassalador, perigoso e violento. É o ácido que corrói as paredes que criamos em nossos corpos e em nossas cabeças repletas de milhões de histórias. Ainda que seja quase leviano falar de corpo e de cabeça como coisas separadas, são uma só. Mas peço perdão pelo didatismo...

[GLOSSÁRIO] C de Ciranda

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CIRANDA                                                                   Eu estava na beira da praia, o uvindo as pancadas d as águas do mar. Essa ciranda quem me deu foi Lia Que mora  na Ilha  de Itamaracá !   Vem de longe as cantorias e sensibilidades que criam o ponto de partida para as reflexões que agora faço. Daqui de Belo Horizonte me sinto invadido pelas rodas de ciranda e pelos versos cantados por Maria Madalena Correia do Nascimento, imortalizada por Teca Calazans como Lia, moradora da Ilha de Itamaracá, cirandeira e merendeira, mulher das rodas cantadas e dançadas; mulher da educação, das muitas mãos que constroem o mundo; mulher preta cirandeira do Pernambuco, levada pelas ondas inconstantes do mar  e pelas variaç...