Voar junto é relacionamento sério...

Às vezes as linhas formais que compõem as instituições e seus rituais se borram no momento de se desenhar os acontecimentos, tornam-se pilheria ao passo que outras forças, mais sinceras e humanas, explodem. Alguns exemplos de outras forças: a fome, o sorriso, o calor, a sinceridade, a autonomia, a compreensão e a criação.
As vontades do corpo não se limitam as indagações da mente que, definido o projeto e seus objetivos, nos movem. Elas são presentes nos nervosismos, nas exasperações, nas risadas contidas e incontidas. Nas palavras que cumpre o papel dizer: mas além disso. No olhar, profundo e cheio de força, que deslumbra e entorta a própria composição das frases.
O que se avalia, então? O corpo que se contém, mãos nos bolsos, quando podia gritar experiências que estão por ser escritas (cujos olhos, a boca, os ouvidos gritam na carne mesma)? A imobilidade expectante e o silêncio (mortalha)? Talvez as experiências e o quanto delas foi absorvido em arranjos de saber?
Na mesa, de um lado, se coloca os poucos que tem título para falar. Mas quem tem a dizer, o corpo denuncia. Fica vermelho, oscila, batuca na mesa, na perna. A mesa se desdobra e acolhe. Parece dizer que não há senhor, mesmo que exista quem queira ser.
Uma defesa de mestrado pode ser só uma defesa de mestrado. Pode ser menos que isso. Mas poucas vezes
é mais. Hoje foi. Foi explosão de força em quem se diz pequena, de liberdade em travessura de criança incontida, foi libertação em apoio e compreensão. Foi criação que não estava aí para cumprir formalidades aparentes.
Parabéns, Juliana!

 





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